20/10/2012

Coimbra


A bruma matinal
Desta manhã outonal
As castanhas quentes
Chego o frio

As árvores da margem do Mondego
Começaram a ficar nuas
E as folhas que vieram na primavera
Abandonam seus donos
Para viajar caminho do mar
Na sua ultima viagem
antes da terra alimentar.

Nesta manhã fria mais com sol
O senhor da concertina
Sempre com a sua cara melancólica
Que parece ter saudade de tempos melhores,
Tal vez da juventude na qual a vida é mais movimentada
Ou tal vez de aqueles que já não estão
Ou ainda é o jeito da cidade que mesmo
Nestas horas, cheia de luz,
Cheira a saudade.

Gosto de caminhar pelas suas ruas
Olhando os transeuntes
Tentando imaginar as suas histórias
Inventando as suas emoções .

São nestes dias, que eu
Olho de maneira diferente a minha vida
E penso que vale a penar sorrir
Logo de manhã, porque nunca se sabe
Quem te esta a olhar.
  

12/02/2012

O que faz em mim a saudade

Ouvi dizer que as mulheres tem a vida amorosa que desejam, mas como é isso possível? Eu levo vinte e dois anos à espera de ter uma aventura maravilhosa, cheia de paixão, amor e todas essas coisas das que falam as canções e vem-se nos filmes, começo a pensar que são esses filmes os que fazem que entendamos o amor, a amizade, a paixão, ... de formas diferentes a como são!
Sabem os anos passam e eu continuo aqui a escrever coisas muito parecidas as que escrevera quando era mais jovem e inexperiente, até parece que as experiências passam por mim, mas eu não passo por elas, porque o que aprendo é muito pouco ou nada, porque se não é assim como posso cair no mesmo erro uma vez trás de outra.
A minha idade já avançada, tendo deixado atrás já a adolescência sinto-me ainda como uma garota de doze anos depois de ter dado o seu primeiro beijo de “amor” (ou se for como eu um pouco mais tarde) aquele do qual se lembrara toda a vida, os primeiros tempos com saudade, depois como uma lembrança gira ou engraçada, até que um dia seja uma coisa tão distante, que já só servira algum dia para contar aos netos, que não aos filhos, porque aos filhos não se lês contam essas histórias, pelo menos até que não sejam grandinhos.
Assim é a vida, sempre disposta a levar todos os nossos ideais pela água abaixo. Todos tivemos, temos e teremos sonhos até que passemos a melhor vida, porque sem sonhos que é a vida? Mas há dias nos que todo o que queres é esquecer o teus sonhos, e nem sequer tens força para pensar que são eles o que nos dão a força para continuar nesta luta que é a vida, porque pensar nos sonhos as vezes é muito duro já que faz-te descobrir que uma vez mais, fracassas-te, voltas-te a cair e sentes de novo que estas num buraco sem saída, onde a luz quase não chega.
Quando releio estas linhas vejo que sim, voltei ao buraco, é triste mas é assim. Sempre ouvi dizer que a tua felicidade não pode depender de ninguém, só de ti própria, porque se não nunca serás feliz. Mas uma vez mais deixei-me levar pelo mais fácil, e fiz com que a minha alegria, os meus sorrisos, as minhas gargalhadas fossem todas pela sua causa e para ele, depois de ele ter-me dito que precisava de estar sozinho, o que quer dizer: não quero estar mais contigo, o meu mundo já de por si cambaleante, deixo partir o último pé e veio-se a baixo, a última trincheira acabo por explodir no pior momento da batalha, quando mas precisava de ajuda para continuar na luta, isto não quer dizer que vá a me render, mas sim que vai ser complicado, porque perdi a batalha mas não a guerra.
É nestes momentos da vida que te perguntas, para que complicar tanto a vida, já difícil? Por que tanta dor, tanto sofrimento absurdo? Por quem tantas lágrimas? E respondes que desta vez vais mudar, que não voltaras a deixar que te façam mal, mas como? Se a vida só é vida, se arriscares. É nesse risco onde esta a chave da felicidade... mas como diz Inês Pedrosa, “pr’a quê tanta palavra curta, menina? Amor, paixão, sexo, afecto ... É tudo só sentimento, pr’a quê tapar essa luz do céu com tanta nuvem de papel, diz?”.
Escrevo tanto só para desabafar, porque no fundo sei que nada vai mudar, os sentimentos vão continuar estando dentro de mim, dando-me alegrias e sofrimento por vezes. Isto é viver e de certeza que é melhor que morrer.